domingo, 27 de dezembro de 2009

RESGATANDO O PAPAI NOEL



No Natal supostamente comemoramos o nascimento de Jesus Cristo. Nem sempre foi assim, é verdade, pois em outros países se comemoravam outras coisas por volta dessa data, mas pro nosso mundo ocidental a desculpa é essa pra ter o feriado. Só que, a cada geração, vamos esquecendo mais e mais este detalhe, e eu não duvido que pra muitas crianças seja apenas o "dia do Papai Noel".
Uma pena. Não por perceber o quanto a religião está "fora" de nossa sociedade, pois eu detestaria viver num Estado teocrático onde seria lembrado a cada quinze minutos que "Jesus morreu por mim", mas por perceber que a mídia, tão prestativa em nos "informar" sobre o que quer que seja (ou melhor, o que eles queiram) não nos recorda, em momento algum, do sentido original desta data. Pode-se fazer isso sem nem mesmo falar de Jesus. Quer ver?
Peguemos o Papai Noel. Ele é o símbolo máximo do Natal, queiram os cristãos ou não. E é o símbolo do capitalismo que infectou essa data, onde temos a obrigação moral de dar e receber presentes. Mas sua origem está em São Nicolau (Santa Claus, o nome em inglês do Papai Noel, é derivado do alemão Sinter Klaas, que é literalmente São Nicolau). E quem foi esse cara?
São Nicolau de Mira (também conhecido como são Nicolau de Bari) foi bispo de Mira (sul da Turquia), no século IV. Conta-se que ele era tido como acolhedor com os pobres e principalmente com as crianças carentes, sendo o primeiro santo da igreja a se preocupar com a educação e a moral tanto das crianças como de suas mães. A mais famosa destas lendas conta que uma família muito pobre não tinha como custear o "dote" para casar as suas 3 filhas. Isso significava que elas não iriam se casar nem conseguir trabalhar, e provavelmente teriam de virar prostitutas. Então no dia do aniversário de cada filha, o bispo Nicolau, à noite, jogava um saco de moedas de ouro e prata, para ajudar a pagar o referido "dote" de cada uma. Uma versão da lenda diz que na terceira vez o pai ficou escondido esperando descobrir quem era o benfeitor, mas Nicolau, já sabendo, jogou o saco de longe, vindo a cair dentro da meia que a mulher havia estendido pra secar (e daí o costume norte-americano de se colocar meia na janela, pra o Papai Noel colocar o presente).
Nicolau possui várias histórias sobre suas supostas aparições; a mais famosa foi no Natal de 1583, na Espanha, quando atendendo as orações de algumas senhoras, teria auxiliado para que nenhum pobre deixasse de receber o seu pão bento. Os pobres, ao serem perguntados sobre a quem lhes teria dado alimento em meio a um "tão pesado inverno", estes teriam dito que foram socorridos por "um senhor de feições muito serenas e mãos firmes". Ele é o santo padroeiro da Rússia, da Grécia e da Noruega, e padroeiro dos estudantes, marinheiros, mercadores, crianças e arqueiros (?).
Então toda essa história de desprendimento e bondade humana (que poderia inspirar muitas pessoas mundo afora) foi substituída por uma linha de produção onde elfos são escravizados no Pólo Norte (de onde não podem fugir) pra fazer presentes pra crianças de todo o mundo... mas só as que estiverem em sua lista de "boazinhas" (o que pode incluir aí favores sexuais).
Me pergunto: como seria o Natal se ele fosse comemorado por Jesus em pessoa?
Só posso imaginar, mas há uma dica de Jesus sobre celebrações no Evangelho:
Dizia mais ainda ao que o tinha convidado: "Quando deres algum jantar ou alguma ceia, não chames nem teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos que forem ricos, para que não aconteça que também eles te convidem à sua vez, e te paguem com isso; mas quando deres algum banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás bem-aventurado, porque esses não tem com que te retribuir, mas ser-te-á isso retribuído na ressurreição dos justos". Tendo ouvido estas coisas, um dos que estavam à mesa disse para Jesus: "Bem-aventurado o que comer o pão no Reino de Deus".
(Lucas, 14: 12-15)
E Allan Kardec comenta, no "O Evangelho segundo o Espiritismo", Cap. XIII:
"Quando fizeres um banquete, disse Jesus, não convides os teus amigos, mas os pobres e os estropiados". Essas palavras, absurdas, se as tomarmos ao pé da letra, são sublimes, quando procuramos entender-lhes o espírito. Jesus não poderia ter querido dizer que, em lugar dos amigos, fosse necessário reunir à mesa os mendigos da rua. Sua linguagem era quase sempre figurada, e para os homens incapazes de compreender os tons mais delicados do pensamento, precisava usar de imagem fortes, que produzissem o efeito de cores berrantes. O fundo de seu pensamento se revela por estas palavras: "E serás bem-aventurado, porque esses não têm com o que te retribuir". O que vale dizer que não se deve fazer o bem com vistas à retribuição, mas pelo simples prazer de fazê-lo. Para tornar clara a comparação, disse: convida os pobres para o teu banquete, pois sabes que eles não podem te retribuir. E por banquete é necessário entender, não propriamente a refeição, mas a participação na abundância de que desfrutas. Essas palavras podem também ser aplicadas em sentido mais literal. Quantos só convidam para a sua mesa os que podem, como dizem, honrá-los ou retribuir-lhes o convite? Outros, pelo contrário, ficam satisfeitos de receber parentes ou amigos menos afortunados, que todos possuem. Essa é por vezes a maneira de ajudá-los disfarçadamente. Esses, sem ir buscar os cegos e os estropiados, praticam a máxima de Jesus, se o fazem por benevolência, sem ostentação, e se sabem disfarçar o benefício com sincera cordialidade.
E quando os benefícios são pagos com a ingratidão ou o esquecimento? Será motivo para deixar de fazer o bem? Evidentemente, não; o bem deve ser sempre desinteressado. Esperar reconhecimento revela mais egoísmo que caridade. E comprazer-se na humildade do beneficiado que manifesta seu reconhecimento é prova de orgulho. Aquele que procura na Terra a recompensa do bem que fez não a receberá no céu; mas Deus levará em consideração aquele que perseverar no bem apesar da ingratidão e do esquecimento.
Ou seja, se o Natal fosse realmente uma homenagem a Jesus, dificilmente seria baseado no contrato social, ou seja, nas tradições que estabelecemos pra essa data, de dar e receber presentes dentro de um nucleo social fechado (familia, colegas de trabalho, de escola, etc). Jesus nos mostra nessa quase parabola mais uma subversão dos costumes: se vc esta acostumado a dar pra receber presentes, dar festas pra permanecer no seio da sociedade, você já tem sua recompensa masturbatória, nesse círculo vicioso onde o cachorro persegue o próprio rabo (às vezes por caminhos tortuosos). Com a popularização do amigo secreto já nem nos preocupamos mais com QUEM vamos dar presentes. Descaracterizamos cada vez mais as coisas, apenas automatizamos o que nos diz a mídia: compre, compre, compre...
São Nicolau é uma fonte de inspiração por fazer o bem sem esperar reconhecimento. E isso baseado nos ensinamentos de Jesus. É esse o espírito do Papai Noel, que se deve resgatar (e resguardar) das garras do dragão do egoísmo, motivado pela mídia, pago pela indústria, que insere na mente das pessoas que você só é alguém querido e amado se puder comprar e consumir. É o espírito do Natal que foi deturpado e deve ser resgatado.

sábado, 26 de dezembro de 2009

O AMOR TAMBÉM MORRE DE FOME



Igual ao sol numa manhã sem nome
O amor desponta, sim, pra ser eterno
Eu era frio assim, eu era inverno
Você chegou e despertou-me homem

Agora some, linda, às vezes some
Me perco em dores, gozos, eu me alterno
Pois o ciúme leva-me ao inferno
Penso que o amor também morre de fome

Na solidão o meu amor definha
Eu bem queria que fosse só minha
Não lhe perder no caos dos afazeres

O mundo nos confisca muitos dias
Já não me basta amar fotografias
Penso em buscar inéditos prazeres


Jimii


SOMBRAS DE MIM



O silêncio da noite grita a dor da ausência,
o breu é a imagem em preto e branco da solidão;
não aguento ver tantos sentimentos em falência...
Pensamentos truncados nos labirintos da emoção
buscam um lugar bem longe, onde possam serenar...

As horas são sempre tardias, ilusões inquietas,
nostalgia... Os sonhos não conseguem mais voar,
loucos,tentam em vão, não sentem as asas cortadas;
pois na poesia inacabada da vida, há rimas incertas;
em loucura, minh'alma vive presa na luz de outro olhar!

E na inexaurível afasia das sombras dos tempos
sinto-me estranha, cada vez mais ausente de mim!
Pesam-me as estações vividas, conflitos e contratempos...
Meu sentir ficou emparedado entre o meio e o fim,
restou-me o nada ter, o estágio terminal do ser!


Anna Peralva


quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Por que eu não gosto de natal – Parte 2




A primeira parte deste texto falou da historicidade do natal cristão. Esta segunda parte falará de minhas experiências em relação a tal festejo. Muitas dessas lembranças parecem fúteis e bobagens, mas me fizeram a ter o pensamento que tenho hoje. Novamente espero a opinião de vocês leitores, gosto muito de dividir experiências e aprender cada vez mais. Apreciem.


Sempre comemorei o natal com minha família, sempre na casa de um tio meu. As pessoas alegres, as risadas, as piadas, a espera da meia-noite; tudo naquele típico espírito natalino. Vem daí minha primeira frustração em relação ao natal.
Minha família nunca se deu lá muito bem, nós crianças vivíamos as voltas com as brigas dos que se diziam adultos. No natal tudo mudava. Todos eram amigos, falavam como foi o ano, as conquistas e as derrotas, os planos para o próximo ano, etc. Aquele clima de paz se materializava a meia-noite, todos rezando em nome do menino que virou Deus. Todos iam para casa em paz, satisfeitos de alma e de bucho (digo saciados da fome). Mas como as serras não são de cuscuz e o mar não é de leite, no outro dia tudo voltava ao normal.
Os comentários são sempre os mesmos: “tu viu como fulano comeu?”,  “ como fulano estava mal vestido”, “ como sicrano é mal educado”. Eu me lembro das palavras da minha mãe quando eu aprontava alguma:
- Henrique! Hoje não te bato não, mas amanhã tu me paga.
O tal espírito natalino é até legal, se durasse além do natal. E conversando com várias pessoas vi que isso não acontecia só comigo, realmente o natal é só no dia 25 de dezembro.
Tenho algumas lembranças engraçadas de filmes de natal. Assistia aos filmes de Hollywood e me perguntava por que não nevava em minha cidade. Imagine nevar em Jacobina, uma cidade da Chapada Diamantina. Doce ilusão de uma criança. Mas o que mais me doía era que papai Noel nunca me visitou no natal. Os presentes eram raros e infelizmente isso deixou algumas marcas.
Porém não pensem que eu odeio o natal, apenas não gosto. Vou ao natal de minha família, como sempre. Como, bebo e me divirto um pouco. No outro dia apenas dou risada do espírito que se foi com o peru pela privada da minha casa.
O que eu não suporto no natal não são minhas experiências mal sucedidas e sim a mediocridade coletiva que se aflora nesta época. Quem porra é papai Noel? Que porra de paz de um dia? Que porra é essa de enganação, comemorar o que em nome de Jesus? Lembrar do homem que dizemos ser o mais importante de nossas vidas por apenas um dia? Seguir ensinamentos falsos e hipócritas? Ser bom e perdoar só por mero costume?Eu acho que não.
Se for para perdoar, amar, ser caridoso, honrar a Deus, que seja sempre. O melhor do natal é o lucro das lojas e como eu não sou dono de loja, essa parte não me interessa.
Esse ano eu vou de novo para casa de minha família, abraçar parentes, comer um bom peru e desejar feliz natal para todos. Mas para mim todo dia é santo e o natal é apenas mais um deles. Parabéns as Igrejas e lojas que lucram com o natal, boa sorte aos corações que se acalmam no dia 25. Só desejo que esse clima se perpetue o maior tempo possível. E se lembre que nem todo dia é 25, mas todos os dias são do Senhor.

PS: Jesus curou também aos sábados. Quem tem ouvido para ouvir que ouça.




quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Se eu disser Te Amo....



Se eu disser te amo...saiba que será pra sempre,
porque pra mim amor é eterno,
amor não acaba, não finda... se transforma.

Se eu disser te amo...saiba que é de verdade,
porque pra mim não há meias palavras,
amor por inteiro,  não de qualquer jeito...

Se eu disser te amo...entenda,
entenda que não há no mundo ninguém como vc,
amor não escolhe forma, beleza...simplesmente existe!

Se eu disser te amo...
Acredite, me Ouça, me olhe,
me aceite!


Rita Maia

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

DE PONTA CABEÇA

De todos os chefes de Estado que visitaram o Brasil nos últimos anos, dois se destacam pelo contraste e o modo como foram (ou não) recebidos:
Um deles foi eleito numa eleição notadamente marcada por fraude (cuja extensão não pode ser medida, pois houve apenas uma recontagem parcial com grande número de votos fraudados). As forças de segurança de lá alertam que não terão "misericórdia" com os opositores, e um deles, uma mulher, foi morta em frente às câmeras por um tiro apenas por estar em meio à multidão. Várias pessoas são presas apenas por protestar, e o governo desligou o serviço de celular e a internet, para evitar a organização de mais protestos. Esse chefe de Estado é cínico, arrogante e deslavadamente mentiroso, que sustenta que um dos fatos mais chocantes e amplamente documentados da 2ª guerra (o holocausto) simplesmente não existiu, apenas porque ele assim o diz.
O outro líder é um chefe de Estado sem Estado. Pra não morrer numa invasão militar feita sem motivos pelo país vizinho, fugiu aos 15 anos para a Índia, onde está exilado. Seu povo, mesmo há 50 anos sob opressão do invasor, o tem ainda como líder espiritual. Dá a volta ao mundo pregando a paz e o diálogo, a não-violência e a democracia, e como tal sempre esteve aberto a negociações com os invasores em busca de um mínimo de autonomia e melhores condições de vida para seu povo, infelizmente sem sucesso por conta da intolerância do invasor, que sufoca qualquer expressão contrária ao regime até em seu próprio país, não hesitando em matar milhares de estudantes em um famoso protesto, há exatos 10 anos.

Qual desses líderes o presidente eleito pelo povo brasileiro recebeu de braços abertos?




Qual deles NÃO foi recebido oficialmente, e teve seu pedido de audiência solenemente ignorado pra não melindrar as relações com o país invasor (assim como Obama fez, recentemente)?



Os dois fizeram pedidos ao presidente eleito do Brasil.
Um deles, em busca de reconhecimento internacional (já que não o tem em casa), pediu apoio a sua reeleição e às suas ambições de desenvolver tecnologia nuclear (condenada veementemente pelos outros países, já que ele ameaçou "eliminar do mapa" o país vizinho).
O outro pediu para que o nosso presidente eleito democraticamente fale de "democracia e liberdade" com a cúpula chinesa: "O Brasil ganhou sua democracia, o que foi muito importante para o País. Agora, com o peso que o Brasil tem no mundo, precisa defender esse valor".
Qual desses líderes teve seu pedido prontamente atendido?
Lula volta a defender reeleição de Ahmadinejad no Irã
Ao lado de Ahmadinejad, Lula defende direito do Irã a programa nuclear pacífico
Quanto ao pedido do outro... bem...
E assim caminha a humanidade, baseada em líderes cheios de lábia, retórica e pouca ação, comprometidos com interesses vis de uma minoria, tangendo o gado até a sua extinção.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Por que eu não gosto de natal – Parte 1



Vou fazer esse texto em duas partes. A primeira parte vai falar da historicidade do Natal, suas origens e o porquê de sua assimilação pelo cristianismo. A segunda parte fala de minhas experiências pessoais sobre o natal, experiências estas que me fizeram encarar tal festa como apenas uma oportunidade de comer um bom peru. Peço aos leitores que leiam sem preconceitos e opinem a vontade, eu também acredito em Cristo, talvez de um jeito diferente. Mas acredito no amor e isso é o que me basta.



Estamos nos primeiros séculos do cristianismo e a Igreja não era tão forte quanto era na Idade Média e ainda é hoje. O Império Romano estava infestado de diversas religiões, pagãs e politeístas. Adoravam quase tudo da natureza que se possa imaginar, cheias de rituais que mais tarde os cristãos tornariam satânicos.
Corria exatamente dois séculos desde que Jesus foi crucificado e ascendeu aos céus, duas festas eram muito populares no final de ano. A primeira chamava-se Saturnália e era comemorada pelos romanos do dia 17 a 26 de dezembro, sendo que no dia 25(chamado de bruma) era uma homenagem ao nascimento do Sol Invictus- paganismo puro, ou satanismo puro se assim preferirem os cristãos. A segunda festa homenageava a mãe natureza do solstício de inverno, quando temos a noite mais longa do ano no hemisfério norte. Esse costume era típico das antigas religiões européias. O dia 25 de dezembro também coincide também com muitas outras festa de inúmeras outras culturas.
Mas o caro leitor pode pensar: Eles copiaram do cristianismo. Não. Essas religiões são mais antigas que o cristianismo, a resposta é simples e comprovada por muitas publicações cristãs que se importam com a historicidade de sua religião. A Igreja em sua tentativa (diga-se de passagem, bem sucedida) de tornar a conversão menos dolorosa aos pagãos, fez exatamente o que ocorre hoje com o candomblé e o catolicismo na minha Bahia, os fundiu, o chamado sincretismo religioso.
Como vemos hoje, tanto deu certa essa investida católica, que poucos cristãos sabem da verdadeira história do Natal. Os costumes pagãos foram assimilados gradativamente e os pagãos aos poucos foram achando a nova religião do Império atrativa, seja a conversão pela fé, pela semelhança de costumes ou mesmo pela força, mas isto já é história para outro texto.
Agora vamos ao ponto mais importante, a Palavra de Deus. As Sagradas Escrituras deixam bem claro que o Bom Pastor não nasceu em dezembro. Em Lucas 2:8 vemos a seguinte informação: "Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo, e guardavam os seus rebanhos, durante as vigílias da noite.” Sabemos que dezembro é inverno em Israel, como poderia haver pastores no intenso frio. No frio os pastores guardam suas ovelhas e só recomeçam a pastorear de novo no verão. È óbvio e claro que Jesus não nasceu sequer em dezembro, quanto mais no dia 25 de tal mês.
Esse texto não foi feito com a finalidade de abalar ou desmerecer a fé de ninguém, cada um acredita no que quer acreditar, no que o seu coração diz. Porém, a religião atual é cheia de alegorias falsas, mitos e costumes de homens e não de Deus. O natal é um deles, uma festa totalmente pagã que a Igreja cristianizou, assim como outras inúmeras tradições. Além disso, se devemos comemorar algo é a vida, os ensinamentos e a morte do maior dos homens que já pisou neste solo quase infértil.


Se gostaram, não percam a segunda parte...


sábado, 19 de dezembro de 2009

Soneto à Luz Negra







Rainha na África ela era
Seus enfeites cor marfim
Para sempre seria assim
O branco lhe mostrou a fera

De rainha, escrava se tornou
Do desejo virou produto
Sua pela negra agora é luto
Seu orgulho desmoronou

De Salvador à Alexandria
Entre chibatas ela gemia
Cativa de um capataz

Sua liberdade mora em guetos
Crianças órfãs de respeito
Sonhando com alguma paz

Por Henrique Aragão






sábado, 5 de dezembro de 2009

Encontro das Águas



Não tenho nem o que dizer desta música, é simplesmente esplêndida.


Encontro das Águas

Composição: Jota Maranhão / Jorge Vercillo
 
 
Sem querer te perdi tentando te encontrar
por te amar demais sofri, amor
me senti traído e traidor
Fui cruel sem saber que entre o bem e o mal
Deus criou um laço forte, um nó
e quem viverá um lado só?
A paixão veio assim afluente sem fim
rio que não deságua
Aprendi com a dor nada mais é o amor
que o encontro das águas
Esse amor
hoje vai pra nunca mais voltar
como faz o velho pescador quando sabe que é a vez do mar
Qual de nós
foi buscar o que já viu partir, quis gritar, mas segurou a voz,
quis chorar, mas conseguiu sorrir?
Quem eu sou
pra querer
Entender
O amor

Ótica do Caranguejo



O caranguejo anda pra frente
O homem anda pra trás
Essa é a ótica do caranguejo
Não é minha meu caro rapaz

O caranguejo vive no mangue
E da lama ele tira o melhor
Já o homem com suas "melhoras"
Só tornaram o mundo pior

O caranguejo anda pra frente
O homem anda pra trás
Essa é a ótica do caranguejo
Não é minha meu caro rapaz

O caranguejo tem suas guarras
Que o ajudam na sobrevivência
Já os homens mostram as garras
recorrendo sempre à violência

O caranguejo anda pra frente
O homem anda pra trás
Essa é a ótica do caranguejo
Não é minha meu caro rapaz

Os caranguejos tem suas tocas
Entram nelas para procriar
Já os homens saem das suas
Para com outros homens guerrear

O caranguejo anda pra frente
O homem anda pra trás
Essa é a ótica do caranguejo
Não é minha meu caro rapaz


Thiago Oliverira


Um dia Deus construiu um mundo perfeito,



Um dia Deus construiu um mundo perfeito,

Depois ficou olhando

L   o   n   g   a   m   e  n   t   e

Para ele

Até ficar entediado,



Então resolveu destruí-lo durante a noite

e começar a reconstruir pela manhã

e não terminá-lo nunca...


Inácio Oliveira

Maldição



Maldita obsessão que não me deixa livre para pensar
Maldito bem querer que não me deixa te esquecer
Maldita sensação, esse medo de te perder

Anseio tua volta sem teres ido a parte alguma
E logo te vejo voltar para mim sem certeza nenhuma
O vazio no meu peito aumenta cada vez mais

Até quando - me pergunto - viverei assim?

Até quando - te pergunto - você vai viver sem mim?


Cláudia Banegas