sexta-feira, 23 de abril de 2010

O mesmo tiro, o mesmo alvo



A dor vem e vai

Num ziguezague traiçoeiro

Inimigos? Não os tenho

É a ponta da lança de quem eu amo

Que me faz sangrar



E o coração pouco a pouco vai penando

Fingindo não doer tanto assim

Às vezes dou sorte e sobrevivo

Às vezes morro...

E recomeço do mesmo fim



Me pergunto se já não me acostumei

Em ser sempre o culpado dos erros dos outros

E quando eles erram

Ah! E como eles erram

Quem mais sofre sou eu



Quem me dera meu herói não fosse o vilão

Quem me dera, eu não fosse o alvo

Do tiro sempre certeiro

Talvez a vida seja mesmo uma ilusão

E talvez eu esteja sonhando

Meu sonho derradeiro
 
 
Henrique Aragão

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