terça-feira, 11 de maio de 2010

Em companhia de si mesmo

Já  não há  mais vazio no lugar desocupado
Uma presença invisível faz companhia à solidão

Já não há mais solidão na companhia de si mesmo
A agradável intimidade abre um monólogo eficaz

Já não há mais busca incessante e intempestiva
A pausa entra no palco se vestindo de estratégia

Já não há mais dor  que  esperneia dentro  d’alma
A  tristeza  se acalma com o desfecho da história

Já não há  mais pressa de chegar  lá no futuro
O  presente  é o bastante pra recriar cada momento

Já não há mais medo  de perder  uma batalha
A vitória é muito mais do que ganhar uma partida

Já não há mais medo  de enfrentar a dor da morte
Pois  morrer é escutar o pulso e não sentir mais emoção

Já não há mais medo de perder a liberdade
Pois ser livre é ter asa pra buscar o infinito

Já não há mais medo de viver intensamente
Pois a vida é um espetáculo sem roteiro e sem  “script”

Maria Helena Mota
 

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