quarta-feira, 19 de maio de 2010

Os morcegos também cantam




Um pássaro assovia tristonho


No denso breu que a noite trás


Um canto tão insano e medonho


Que apaga as velas dos castiçais





E aqueles que ouvem seu canto


Em seu obscuro vão a navegar


Sentem sua dor, choram seu pranto


Um pássaro cansado de voar





Só lhe resta no canto algum alento


Que finde sua vida, seu pranto, sua voz;


Que finde também esse tormento


Encontrar descanso, no peito de seu algoz

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