sábado, 31 de julho de 2010

MEDO DO ESCURO



Temo a noite. Oh, algoz terrível
que finda quimeras, tolos devaneios
Arranca da alma os juvenis anseios
Torna o sentir um ato insensível


Temo a noite. Oh, breu desprezível
Vago nas trevas com receio
Visões turvas, em seu seio
Há tudo que se diz impossível

Espectros fitam-me presunçosos
Em busca de sonhos ociosos
Com insana fome, sem pudor

Na masmorra da desilusão
Sangra amiúde meu coração
Escorrem versos de imensa dor

Henrique Aragão

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