sábado, 23 de outubro de 2010

Águas da Ilusão



No leito da dor que me banhava
Nadei contra a corrente do sofrimento
Agarrei-me a coragem que me restava
Antes de chegar à foz, derradeiro momento

O rio de culpas que me espreitava
Tortura sorrindo, como a contento
Afogar-me no mar seu intento
Oceano de dores que me afogava

No abismo obscuro em que eu caía
Redemoinho de ilusões que me engolia
Águas revoltas, maré sem direção

Perdi-me em alto-mar, voraz vazio
Navegante só, neste infinito sombrio
Barco à deriva, o meu coração

Henrique Aragão

1 comentários:

  1. Henrique, a ti os meus aplausos de pé por tão bela construção! Tens o meu respeito e a minha admiração... Abraços e carinhos a ti... Bjsss

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