sábado, 23 de outubro de 2010

CEGUEIRA INCONSCIENTE


Um cego andando na neblina
Já foi caolho em tempos antigos
Agora tropeça nas pedras
Que um dia jogou no espelho

Um cego envolto na névoa
Se guia pelos gemidos
Caminho certo, coração partido

Todos os dias são escuridão
Emana da cegueira uma visão
Os olhos fecham desacordados

Ferido acorda o corpo
A mente ainda jaz
Pedras calejam os pés descalços
Mãos tateiam o caminho
Cego há vagar sozinho

Henrique Aragão

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